sexta-feira , 24 março 2017
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Quanto vai de Sub? – Parte 1

De tanto ver um interesse e procura no assunto subwoffer’s pelos técnicos na atualidade saí a procura de opiniões para compor as ideias nesse post.

 

Será um tema da atualidade?

Ou há muito tempo damos uma importância a mais quando falamos das baixas frequências do no nosso sistema?

Por ter experimentado isso também na estrada, já me deparei muitas vezes com um excesso nessa via do sistema. São raras as vezes que tinha condições de ter essa via na mão, separada na hora da mix. Contudo, nem sempre seria essa a melhor saída. Acredito que temos hoje dentro da nossa profissão, mais acesso aos estudos e informações, tanto que temos cursos livres rodando o país com tema dedicado ao assunto sub’s, ou também um período considerável dentro de um programa de curso de áudio também visando atender essas dúvidas.

Em 2015, pude participar de um excelente curso com o Prof. Alexandre Rabaço, que gentilmente contribuiu e abrilhantou esses post respondendo duas perguntas sobre o tema:

Rossy: Dentro da lineariedade de um sistema, o sub não deveria figurar como as demais vias?

Alexandre: A resposta curta é: sim!

Mas respostas curtas são sem graça… No mundo ideal, deveríamos chegar para mixar nossos shows e encontrar um sistema de som devidamente otimizado e funcionando perfeitamente, desde os subs até os agudinhos! Tudo que precisaríamos fazer seria mixar o show. Quando mixamos em estúdio não é assim? Alguns sistemas de sonorização hoje em dia podem ser comparados a grandes monitores de estúdio! Mas a questão é que os subs, apesar de tocarem apenas duas oitavas, quando muito, são muito importantes para a música contemporânea e, mais ainda, para sensação que temos quando assistimos a um espetáculo onde o som é parte importante. Sendo assim, nada mais natural que tenhamos especial atenção com esta parte do espectro. Porém, esta atenção especial não deve se transformar em problema e, na maioria das vezes que utilizamos os subs separados do restante do sistemas, podemos ter problemas. Quando digo “subs separados”, me refiro aos modos como alimentamos os subwoofers, quer seja através de auxiliares, matrix, subgrupos…

Quando otimizamos um sistema, fazemos com que as curvas de fase das frequências de crossover acústico fiquem iguais entre as bandas adjacentes do sistema. Isso que dizer que a curva de fase da região de crossover entre o sub e PA, em um sistema devidamente alinhado, está perfeitamente ajustada. Ocorre que esta região de crossover acústico pode mudar quando alteramos os níveis relativos entre os subs e o PA. Ou seja, o ajuste que foi feito durante o processo de otimização pode ser perdido só porque alteramos o nível do sub. Normalmente um ajuste equivocado entre sub e PA se traduz em notas do contrabaixo perdidas, violões de sete cordas que não ouvimos direito a sétima corda, bumbos com muita baixa frequência mas sem “presença” ou “corpo”… Enfim, várias situações pelas quais a maioria de nós já passou e que na maioria das vezes colocamos a culpa no instrumento, no músico, na acústica…
Por isso, sim: dentro da linaridade, o sub deve figurar como as demais vias!
Rossy: Sub acima dos 10dBs é coisa de brasileiro?

Alexandre: Sem querer gerar polêmica: não! Na verdade, pergunto: quanto acima?

É muito comum, quando otimizamos um sistema, buscarmos uma curva que descreve uma atenuação de 3 dB/oitava em direção aos agudos. E isso acontece no mundo inteiro! Muitas vezes, curvas de até 6dB/oitava de atenuação são utilizadas como “alvo” por alguns engenheiros de sistema. Porém, este tipo de curva apenas “facilita”o trabalho do engenheiro de mixagem, que pode coloca sua mix dentro de um sistema com um espectro bem grande e com o headroom necessário. Porém, isso não quer dizer que a mixagem vai ficar desequilibrada.

Curva de 3 dB/oitava:

smaart

im2

Acredito que o que é característica de brasileiro, e isso vem mudando com o tempo, e sem querer generalizar, é uma mixagem desequilibrada, com muito destaque para alguns instrumentos graves, principalmente o bumbo. Por isso achamos que os subs estão sempre mais altos.
Dito isso, preciso observar que, invariavelmente, quando chego para ouvir um sistema onde vou mixar normalmente preciso pedir para o responsável pelo sistema para diminuir o nível dos subs, porque na maioria das vezes, ele está muito acima do aceitável.
Bom gente. O Assunto é maravilhoso e amplo. Essa é a primeira parte do post e teremos na PARTE 2 a participação de Rafael Lins, da MTX Audio e que ministra cursos nessa área também. Agradeço ao Alexandre Rabaço que gentilmente se prontificou a participar do post.

Aproveite para deixar comentários e quem sabe até perguntas.

Sobre Carlos Rossy

Carlos Rossy é colaborador do audioreporter, trabalha e mora atualmente em Curitiba-PR como técnico de PA da cantora Heloisa Rosa e no Studio Bamboo. Recentemente na locadora Somatéknica Audio Profissional e em bandas pelo nordeste. Escreve no seu próprio blog em www.carlosrossy.blogspot.com

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  • diego miranda

    O que da o destaque no som é o sub, um grave bonito e encorpado estilo Studio R BX, batendo e as luzes do salao fraquejando junto, é cultural. kkkkkkk