sexta-feira , 20 janeiro 2017
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Microfones Rode na estrada

Neste texto vamos conferir as minhas impressões sobre os microfones Rode  em shows ao vivo.

 

Rode na estrada

microfone rodeJá havia utilizado o modelo NT5 no estúdio em violões, over heads, hi-hat e percussão, com resultados bastante satisfatórios. Mas comecei a notar a migração de alguns modelos para o live, levado por seus usuários no estúdio. Passei a encontrar em algumas empresas de som o próprio NT5 onde pude utilizar nos mesmos instrumentos que já havia utilizado no estúdio, mantendo os mesmos bons resultados.

Atualmente tenho observado a utilização de mais modelos no live como o ProCaster, NT3, M1, M1-s, M2, M3, S1. Provavelmente pela qualidade e custo/benefício. Tive a oportunidade de utilizar durante alguns shows os modelos M1-s, S1, NT3. Em vozes e algumas peças da bateria, basicamente.
Busquei variar as aplicações modificando mics e posicionamento nos instrumentos que tinha a disposição, com a intenção de ouvir onde os microfones se comportavam de acordo minha necessidade. Minha ideia era equalizar o mínimo possível, obter uma resposta fiel, timbre desejado pelo músico e estilo musicalmicrofone rode detalhe

Um detalhe chama a atenção nos microfones da Røde, o pino 1 tem o comprimento maior que os pinos 2 e 3. Para proteção ao circuito. Ao conectar e desconectar, respectivamente, o primeiro e último contato físico e elétrico é feito pelo pino 1 – TERRA. A Røde oferece 1 ano de garantia de fábrica, e após registro no site, os modelos NT3 e S1 a garantia extende para 10 anos e o modelo M1-s garantia vitalícia!

As especificações técnicas podem ser lidas no site www.rodemic.com.

 

Na prática: Voz.

Como atualmente tenho operado o monitor para o artista Jair Rodrigues, foi no show do mesmo que realizamos as audições e experimentações. Costumo usar em sua voz o Shure Sm Beta 58 porque possui uma acentuação entre 3KHz e 10KHz facilitando chegar ao timbre desejado pelo artista e por ser supercardióide também facilitando o posicionamento dos monitores, uso normalmente 4 caixas. Por outro lado o efeito de aproximação faz acentuar a região do médio grave e grave, super indesejado pelo artista. Fazendo com que necessite filtrar e reduzir bastante esta região.

resposta rode shure
Resposta de frequência do SM Beta 58 Resposta de frequência M1-s

Depois de deixar tudo pronto com o microfone de costume, optei por colocar o M1-s, zerar os EQs e começar tudo outra vez. Claro que com tudo salvo na memória da console. Mas mantive o mesmo ganho de entrada e volume de saída da mandada auxiliar para comparar os níveis. Mas como o  M1-s é menos sensível, para manter o mesmo nível de saída que o SM Beta 58 acrescentei 4dBs na entrada do canal.

Shure Sm Beta 58     -51.0dBV re 1 Volt/Pascal (2,80mV @ 94 dB SPL)   —-   Rode M1-s     -56.0dBV re 1 Volt/Pascal (1.60mV @ 94 dB SPL)

20log2,80/1,60 = 4,86dB, é a diferença de volume entre eles.

O timbre já me deixou contente, com EQs do canal e gráfico da via auxiliar flats já estava próximo do resultado desejado. Os médios e agudos continuavam iguais porque o M1-s também possui uma acentuação a partir de 3KHz até 10KHz. Mas o que me agradou foi o efeito proximidade, com pouca acentuação, não trazendo tanto grave e médio grave. Assim equalizo menos, provocando menos problemas de fase.

Neste caso específico prefiro utilizar mics supercardióide por causa do posicionamento das caixas, mas o fato do M1-s ser cardióide não me atrapalhou em nada. Se antes colocava as caixas entre 100o  e 150o  / 210o e 260o atrás do mic com o M1-s pus entre 110o e 190o.

Agora vamos ao S1, apesar do gráfico indicar acentuações nos agudos de aproximadamente 4dBs em 4KHz, não soa agressivo e 6dBs entre 10KHz e 13KHz não soa sibilante ou espirrado. Acredito que para a monitoração nos in ears estas acentuações devem dar um “ar” as mixes (só ouvi em caixas), ou melhor dizendo, uma sensação auditiva mais agradável nos extremos agudos. Posso afirmar que pela primeira vez ouvi minha voz num monitor com tamanha inteligibilidade. E sem utilizar de nenhum recurso de equalização. Me surpreendi. Apesar do low cut natural iniciando sua atenuação em 400Hz, o efeito proximidade devolve o “corpo” necessário a voz.

resposta rode s1 rode nt3
Resposta de frequência S1 – efeito proximidade linha azul Resposta de frequência Rode NT3
Na prática: Bateria

Nt3 e M1-s na caixa

Como já tinha lido sobre o resultado do NT3 na caixa da bateria (top), foi o primeiro teste que veio a minha mente. O técnico de PA da empresa SRG eventos, o baterista e eu, chegamos a mesma conclusão – O som da caixa chegou com bastante presença e encorpada. Então apenas confirmei o que já tinha ouvido falar. Sem medo de ser feliz é um ótimo mic para caixa. Detalhe, fiz um low cut em 150Hz. Pois, pode-se observar que a resposta do NT3 é bem estendida nas baixas frequências captando facilmente vazamentos indesejáveis nesta região.

RODE NT3 RODE M1Neste mesmo show pus o M1-s também na caixa, mas direcionado para a esteira. Como já vimos a resposta de frequência deste mic com acentuações no médio e agudo e low cut em 200Hz, parece combinar com a situação. E realmente funciona, não equalizei. A combinação NT3 e M1-s é matadora

 

NT3 no bumbo.

Eu e Val, técnico de som residente do Bar Brahma (Campo de Marte) chegamos a seguinte conclusão: Para samba e jazz cai perfeitamente. Este microfone consegue captarRODE NT3 NO BUMBO os graves deste instrumento suficientemente macios para tais estilos musicais, onde o bumbo é mais sútil. No axé ou rock vale apena tentar, provavelmente teriamos que forçar os médios e agudos neste caso, para obter mais kick, também precisaria ter cuidado com o ganho de entrada, pois, a sensiblidade do mic é alta.

S1 no hi-hat.

Na voz, com o S1, os agudos não soaram agressivos ou espirrados, então decidi por no hi-hat que tem por natureza médios e agudos mais agressivos e duros, sem a maciez e dinâmica da voz. Se mais uma vez fizermos uma comparação entre a resposta de frequência do instrumento e do S1, parece haver uma combinação. Low cut que inicia sua atenuação em 400hz (– 4dBs em 200Hz, -6dBs em 100Hz, -8dBs em 80Hz e assim por diante) e  sua acentuação em 3KHz e apartir de 5KHz o agudo do hi-hat se destaca. Mais uma vez menos equalização. E dependendo do posicionamento menos vazamento.

rode s1 hihat
Resposta de frequência Rode S1

 

S1 na caixa

rode s1 na caixaQuando pomos um condenser na caixa estamos decididos a captar nuances não reveladas por dinâmicos, por outro lado também devemos saber lidar muito bem com os vazamentos. Neste show onde realizei este teste prático, o baterista que acompanha o artista Jair Rodrigues, utiliza de suas habilidades técnicas e musicais para executar sambas, boleros e mpb.

Aro, rufos, e muitas ghost notes dão um molho especial ao swing e são fielmente captadas e reproduzidas. Jogar para frente a região do aro e realça agradavelmente as frequências altas. Se os vazamentos for algo que não o incomode muito, também é uma boa opção. Com as vassorinhas ficam bem bacana.

 

Conclusão

Com os resultados observados, estes microfones entram facilmente no meu kit de preferidos. O som captado e reproduzido me deixou contente pela facilidade de chegar a um bom timbre, quando equalizamos o mínimo possível é porque a captação (escolha de microfone e microfonação) foi correta. Por isso experimentar é preciso. E sem receio.

Minha intenção aqui nesta descrição é relatar minha experiência com estes microfones para que técnicos de som que ainda não tiveram a oportunidade  de usar estes mics tenham um ponto de partida. Não me foi solicitado por nenhuma parte a escrevê-lo. Mas no entanto desejei compartilhar esta excelente experiência.

Agradeço ao especialista da Rode Microphones no Brasil, Anselmo Gonsalves, toda a equipe da Pinnacle Broadcast por ceder os microfones e ao site ÁudioReporter.

Fotos: Bobby Rodriguezz, Anselmo Gonçalves, Igor Pimenta e www.rodemic.com .
Especificações técnicas: Anselmo Gonçalves, www.rodemic.com e www.shure.com .

Sobre Igor Pimenta

Igor Pimenta Técnico de monitor - Banda Eva.

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  • Anselmo Gonçalves

    Excelente review Igor!

  • Anselmo Gonçalves

    Excelente review Igor!

  • Levi Oliveira

    Tenho o S1 pra voz principal, curto bastante a relação ganho e a clareza que ele reproduz a minha voz!

    • Igor Pimenta

      Ótimo Levi, quanto tempo tem ele? Gostaria de saber a respeito da durabilidade. O que pode dizer a respeito?