quinta-feira , 19 setembro 2019
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Projetos de sistemas de som distribuído – Pontos a serem considerados

Gostaria, antes de qualquer coisa, de agradecer a Diego Moreno e a todos do Audio Reporter por esse excelente espaço onde podemos pesquisar, debater, tirar nossas dúvidas e compartilhar nossos conhecimentos com todos os colegas de profissão. São justamente veículos como esse que fazem o áudio crescer e se tornar cada vez mais profissional. Mais uma vez, parabéns pela iniciativa.

Gostaria de falar um pouco a respeito de projetos de sistemas de sonorização em empreendimentos como shoppings, hotéis, hospitais, etc. Existem alguns aspectos que devem ser levados em conta quando da execução de um projeto de sonorização num empreendimento desse tipo.

  1. Qual a finalidade do sistema de sonorização?
  2. Qual a expectativa do contratante com relação ao sistema, e qual o tamanho da verba disponível para execução do sistema?
  3. Qual será o escopo do projeto?
  4. Que tipo de sistema utilizar, e quais as limitações técnicas do empreendimento que afetarão o sistema de sonorização?

Essas são perguntas essenciais para a elaboração de um projeto bem-sucedido.

Mas o que é um projeto bem-sucedido? É projetar um sistema com a tecnologia de ponta?  É ter um sistema à prova de falhas, com redundâncias? É projetar um sistema capaz de reproduzir no ouvinte uma pressão sonora de 90dBSPL com uma variação máxima de nível de 3dB em todos os pontos?

Um projeto bem-sucedido é simplesmente um projeto que atende as expectativas do cliente. Justamente por isso, as duas primeiras questões descritas acima são as mais importantes!

Qual a finalidade do sistema de sonorização?

É preciso definir a função que o sistema de sonorização terá no empreendimento. Haverá música ambiente? Existe a necessidade de chamada e/ou anúncios? Essa programação será setorizada ou geral? Todas essas informações serão fundamentais para definição dos equipamentos necessários para o sistema e parâmetros como relação sinal/ruído para os ambientes, e principalmente para que as diretrizes de operação do empreendimento sejam atendidas.

Qual a expectativa do contratante com relação ao sistema, e qual o tamanho da verba disponível para execução do sistema?

Essa é, na minha opinião, a principal questão a ser definida. Muitas vezes, o cliente tem a expectativa muito alta com relação ao sistema que será executado, esperando que este seja implementado com equipamentos de última geração, com interfaces de acesso remoto, controle automático de ganho, etc. Porém, na maioria dos casos, o cliente não tem consciência dos custos para um sistema desse porte, imaginando que por se tratar de um sistema de som (que normalmente é tratado como supérfluo num empreendimento), não pode ser assim tão caro. Quando se coloca tudo no papel e o custo total aparece, vem o susto e a velha frase: “Com esse custo, não tenho condições de executar. Não tem como trocar esses equipamentos por similares não?”  ou  “Não tem nenhum equipamento nacional que faça isso tudo não?”.

Quando tudo isso é discutido na fase inicial do projeto, evita-se o retrabalho, que é um dos maiores vilões para projetistas. Afinal, estamos prestando um serviço e cobrando pelas horas trabalhadas, e um retrabalho significa um lucro menor que o esperado, e às vezes até significa estar pagando para fazer o projeto. O ideal é que a expectativa do cliente esteja de acordo com o que ele está disposto a pagar. Para isso, vai ser necessário baixar a expectativa do cliente, explicando que ele não terá o resultado esperado com aquela verba, ou senão convencer ao cliente que ele precisará dispor de mais verba para executar o esperado.

Qual será o escopo do projeto?

Esse é um outro ponto muito importante para evitar dores de cabeça mais pra frente.  É necessário que o escopo do serviço seja definido com muita clareza, e esteja detalhadamente descrito na proposta de projeto. O ideal é mencionar todos os ambientes que serão sonorizados no empreendimento, para evitar discordâncias e aborrecimentos futuros. Um exemplo, para ilustrar melhor: você foi contratado para sonorizar um prédio comercial, que terá música ambiente e chamada para funcionários. No meio do caminho, o cliente decidiu fazer no prédio um auditório para treinamentos. Na sua proposta, está descrito “Projeto para Sonorização do Prédio Comercial X”. Isso abre espaço para que o cliente, ao receber o projeto, questione que o auditório não está contemplado. De certa forma, ele está certo, pois você (teoricamente) teria que sonorizar todo o prédio. Esse é o tipo de situação que poderia (e deveria) ter sido evitada ao se definir e explicitar todo o escopo do serviço.

Que tipo de sistema utilizar, e quais as limitações técnicas do empreendimento que afetarão o sistema de sonorização?

Definidos a finalidade do sistema e escopo do serviço, além de alinhadas as expectativas do cliente com a verba disponível, é hora de colocar a mão na massa. Como saber que tipo de sistema utilizar: “overhead”  embutido no forro, sonofletores pendentes, distribuídos nas paredes? Tudo isso vai depender da arquitetura e características geométricas do empreendimento. É necessário saber se haverá setorização na programação musical ou nas chamadas, para serem definidos a quantidade de circuitos e, consequentemente, quantidade de cabos e tamanho dos eletrodutos. Se o empreendimento for grande, precisaremos usar uma bitola de cabo maior, para termos menos perdas nas linhas. Se as proporções forem maiores ainda, podemos pensar num sistema de áudio via rede, e assim em diante.

Tendo em vista todas essas questões, o objetivo final é sempre um só: fazer um projeto que atenda as necessidades do cliente.

Numa próxima oportunidade, comentarei com mais detalhes tipos de sistemas distribuídos e alguns dos parâmetros a serem considerados num projeto desse tipo. Até a próxima!

Sobre Igor Zaidys

Igor Zaidys Farias é coordenador de projetos da divisão de áudio da Audium – Áudio e Acústica. Formado em Engenharia Elétrica – ênfase em Eletrônica – pela Universidade Federal da Bahia. Membro da AES.

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