quarta-feira , 20 novembro 2019
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Vamos falar sobre audição?

Engenharia de som ao vivo é o ápice da engenharia acontecendo em tempo real.FOH

Você não só tem que lidar com um ambiente acústico sempre mutável, um “set up” complexo e altamente técnico, e um ambiente que sempre muda. Que pode chover, o banheiro está a uma caminhada muito mais longa, e seu café está sempre frio quando você consegue saboreá-lo. Você não pode apertar o STOP e REC, PLAY é sua única opção.

Além disso, você é a ligação direta, entre músicos, equipe de palco, gerente da turnê, o organizador do evento e o público que comprou os ingressos que pagam o seu salário.

Esses dois pedaços de carne altamente experientes e inteligentes de cada lado da sua cabeça são a porta para o dispositivo analógico estereofônico mais caro no universo conhecido.Então, você precisa cuidar deles. Você não pode obter uma atualização de software para o seu ouvido interno quando ele começa a falhar. Danifcar a audição é permanente, irreversível, provoca surdez, e infelizmente aparelhos auditivos ou cirur-gia não podem reverter isso.E, no entanto, não importa o quão digital se tornou a experiência de concerto ela permanece firme-mente analógica. Afnal, seu melhor instrumento de medição de áudio é você, e mesmo depois de milhões de anos de evolução, ainda não temos ouvidos digitais.

É a mesma sopa sonora

As indústrias da música e do entretenimento são as únicas em que os níveis extremamente elevados de ruído e efeitos especiais são considerados como elementos essenciais de um show ao vivo.

Altos níveis sonoros são comuns em eventos nos estádios, bem como em bares, discotecas, salas de concerto, teatros e instalações de estúdios de TV, e níveis consistentemente elevados de ruído existem mesmo em configurações de música clássica. Músicos eruditos são rotineiramente expostos a altos níveis de pressão sonora por muito mais tempo do que os músicos de uma banda de rock. (O ciclo de óperas de Wagner, O Anel de Nibelungo, tem quase 4 horas de duração.)

Um estudo dinamarquês publicado em 2006, sobre proteção auditiva, sintomas e problemas auditivos em orquestras sugere que mais de 27% dos músicos sofrem de perda de audição, 24% sofrem de ‘tinnitus’ (zumbido nos ouvidos) , 25% de ‘hiperacusia’ (aumento da sensibilidade ao som), 12% de distorção e 5% de ‘diplacusis’ (os ouvidos ouvem dois tons distintos).

Em muitos países ao redor do mundo a legislação já foi promulgada (baseada em normas, padrões e nas leis trabalhistas) para proteger aqueles que trabalham nessas indústrias especializadas. É interessante notar que os governos perceberam tardiamente que as pessoas envolvidas na mídia e indústria do entretenimento estavam, às vezes, expostos a níveis de ruído semelhantes aos dos setores mais tradicionais – como a construção naval ou indústria siderurgica.

Na europa já existe legislação específca (DIRECTIVE 2003/10/EC on the minimum health and safety requirements regarding the exposure of workers to the risks arising from physical agents (noise), em tradução livre: ‘Controle de Ruído no Trabalho de 2005, a Directiva Europeia (2003/10 / CE, da Saúde e as orientações executivas de segurança HSG260’) que trata sobre barreiras acústi-cas, níveis de exposição ao ruído, proteçãoauricu-lar, medição de ruído, qualidade acústica, soluções arquitetônicas e exames regulares de saúde para as pessoas que são rotineiramente expostas a níveis elevados de ruído.

E é por isso que orientações semelhantes devem ser aplicadas para o barman que prepara martinis de vodca – e um engenheiro de som na mixagem de uma banda de rock em frente à 20.000 pessoas. Afnal, em muitas ocasiões, eles compartilham o mesmo espaço, as mesmas condições acústicas.

Sendo criativo com os grandes números

Os níveis que são considerados seguros para o pessoal que trabalha em áreas sensíveis a ruído devem ser definidos. Estes níveis são retirados de normas internacionalmente aceitas e utilizadas em muitos países do mundo.

É exigida a adoção de medidas específicas de mitigação a partir de determinado ‘nível de ação’. Esses níveis são associados à média de níveis de exposição ao ruído de empregados durante um dia de trabalho, uma semana ou o ruído máximo (nível de pressão sonora de pico) a que os empregados estão expostos em um dia de trabalho: expostos em um dia de trabalho:


Valores de exposição inferiores (LEAV):
– exposição diária ou semanal de 80 dB; – Pico de pressão sonora de 135 dB
Valores de exposição superior (UEAV):
– exposição diária ou semanal de 85 dB; – Pico de pressão sonora de 137 dB
Há também os níveis de exposição ao ruído – que não devem ser ultrapassados (mas que tenham em
conta qualquer redução da exposição fornecida por proteção auditiva):
Os valores-limite de exposição (ELV):
– exposição diária ou semanal de 87 dB; – Pico de pressão sonora de 140 dB

A energia sonora na região próxima a pessoa é medida utilizando-se uma média temporal e uma ponderação em frequência A – sendo expressa normalmente como um valor de Nível Equivalente (LAeq) em decibéis, dB(A).

Para se saber os níveis de exposição sonora a que estão expostos a equipe de palco e os outros funcionários, realizam-se medições ao longo de todo o evento, tanto de níveis de pressão sonora quanto de exposição ao ruído.

O LAeq leva em consideração a energia sonora total ao longo de um período específco de tempo, e é a métrica mais utilizada na elaboração de estudos de ruído ambiental. Outra forma de evidenciar o impacto do ruído é através dos níveis sonoros máximos – Lp(C) – associados a momentos específcos das medições.

O LAeq é posteriormente, utilizado no cálculo da exposição ao ruído (ou dosagem) durante um longo período de tempo – como 8 horas ou mesmo 1 semana. Esta dosagem é tipicamente então indicada como um valor dB – LEP, d. Já o nível exposição pessoal diária ao ruído (LEP,d) representa a ‘dose diária de ruído’- uma combinação de ‘quão alto’ e ‘quanto tempo exposto’ aos vários níveis de ruídos que uma pessoa se expõe durante o dia de trabalho.  Abaixo são exibidos os níveis de exposição ao ruído típicos para várias pessoas em um show de rock and roll.tabela

Essa foi a parte 1 deste post. No próximo post vamos concentrar atenção no Engenheiro de FOH, e falar mais sobre audição.

Este post  foi escrito pelos Engenheiros Gary Brzezinski and Guilherme Lopes.

 

Sobre Diego Moreno

Fundador do site, Engenheiro de áudio, apaixonado por música, divide o tempo entre a estrada o estúdio e a constante atualização do site.

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