quinta-feira , 23 novembro 2017
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Masterização – O que há de errado com minha música?

Este é um dos casos onde a masterização é a salvadora da pátria. Se você já se indagou de alguma das maneiras abaixo, vai entender o que eu estou falando.

 

Você acabou de gravar o que você acha que é uma música muito boa no seu estúdio, na gravação ocorreu tudo bem e a mixagem está do jeito que você imaginava.  Então você orgulhosamente grava em um CD e põe pra tocar, mas quando você ouve executada depois de um CD “comercial”, percebe-se que algo está errado.

 

O que está errado com minha música?

  • Não é alto o suficiente, soa magro perto de outras músicas mesmo você aumentando a resolução ou o bit rate o que geralmente não resolve o problema. Parece impactante mas não tanto.
  • Tá soando tudo chato. Outras músicas tem um brilho que te dá entusiasmo, você tenta dar um ganho nas altas frequências, mas agora sua música soa dura e barulhenta.
  • As vozes e os instrumentos estão magros. Músicas comerciais tem uma plenitude que sabemos que vem de um compressor, então você coloca um compressor, ajusta alguns parâmetros e agora toda mixagem  parece achatada. A voz até parece mais cheia,  mas o chimbal perdeu a dinâmica. Está cheio mas sem vida.
  • O baixo não tem punch. Você tenta compensar com algumas frequências graves e agora está alto, mas fez uma lambança na região dos graves.
  • Você pode ouvir todos os instrumentos em sua mixagem e todos eles parecem ter o seu próprio lugar  na imagem estéreo, mas a imagem no geral parece errada.  Os CD’s que você tem como referência tem muito mais abertura e profundidade do que você conseguia imaginar  com o seu PAN.
  • Você colocou reverb nos instrumentos, mas apenas soa como um bando de instrumentos em um monte de espaços diferentes. Seus outros CDs  têm uma espécie de espaço coeso que traz todas as partes juntas, não como salas dentro de uma sala, mas de um jeito que funciona na mixagem inteira.

 

Não se preocupe você não está fazendo nada de errado. Há apenas algumas coisas que você ainda precisa fazer para conseguir aquele som.

Talvez você precise entender o que está errado com a mixagem antes de iniciar o processo de masterização.

Você  precisa das ferramentas certas e um entendimento de como usá-las. Você não vai aprender a masterizar como o Carlinhos Freitas da noite pro dia, mas  um pouco de trabalho e estudo pode fazer toda a diferença na sua mix.

 

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O que buscamos numa masterização?

Embora existam muitas definições do que é  masterizar, prefiro dizer que masterizar é analizar a mixagem no seu aspecto geral, a obra (neste caso o album) e deixa-los coerentes entre sí. Buscando sempre consistencia sonora em todo o álbum, além de prepara-lo para a duplicação. No geral isso se dá em muitas etapas e metas que falarei aqui de modo geral.

O SOM COMERCIAL

O objetivo desta etapa é pegar uma boa mix (geralmente sob a forma de um arquivo de som L/R ) e colocar os toques finais sobre ela. Isso pode envolver ajustar os níveis e em geral suavizando mixagem. Pense nisso como a última camada do polimento e nisso que se nota a diferença de um bom engenheiro de som  de um engenheiro de masterização.  Este processo pode envolver a adição de compressor, equalização, compressão multibanda,  limiter, etc.

Ao definirmos o som comercial, temos que entender que muitas vezes não é o que a música merecia. Na busca de um volume exagerado para “tocar na rádio”, acaba-se perdendo toda a dinâmica da música, transformando-a por completo. Há de se levar em consideração que muitas vezes o “som comercial” não é o  mais ideal para o seu objetivo final na masterização.

 

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CONSISTÊNCIA DURANTE TODO O CD

Há uma simples regra em relação a esse assunto: Devemos considerar cada música individualmente, e masterizarmos como se o disco inteiro fosse apenas uma faixa. Digo isso porque, ao buscar que todas as músicas soem “parecidas”, cria-se meio que uma “selo” que data aquele disco e o deixa com características únicas, por exemplo:

Se ouvirmos um disco famoso do Iron Maiden, podemos perceber que o disco tem coerência entre as faixas, mesmo sendo músicas completamente diferentes. Mas essa característica fica bem evidente quando você escuta uma música sozinha daquele determinado álbum, e assim pode dizer: – “essa música é do album tal, que foi gravado no ano tal…”   Isso porque todo aquele album por inteiro tem uma coerência e similaridade entre as faixas.

Masterize suas músicas e compare com as que ja foram masterizadas no mesmo álbum, elimine as diferenças. Faça o álbum ter uma cara, uma identidade. Não faz sentido a faixa 1 ter muito brilho e a faixa 2 ser “velada” sem altas.

 

FINALIZAÇÃO

Observe com bastante atenção esta etapa. Bit rate e resolução devem ser observados levando em consideração que um CD reproduz em 16bits 44.1 khz. Se vai fazer cópias em mp3, procure a melhor forma de conversão, se for para mídias digitais se atente ao nível de loudness correto pra aquela mídia.

Preste atenção nos começos e finais das músicas, fade out, etc. Nomeie o arquivo corretamente, coloque os códigos necessários ( ISRC por exemplo ), ajuste a ordem do CD com seu cliente e ao “queimar” o CD, tenha certeza que está com uma mídia de melhor qualidade possível.

Masterização apesar de não parecer, é um assunto complexo e de muitas variantes. O espaço abaixo não é só para fazer elogios ao site, é para continuarmos o assunto e estender o que foi dito no post

 

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Sobre Diego Moreno

Fundador do site, Engenheiro de áudio, apaixonado por música, divide o tempo entre a estrada o estúdio e a constante atualização do site.

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