quinta-feira , 20 setembro 2018
Início / Dicas / 9 Erros que você não sabe que está cometendo ao usar compressão

9 Erros que você não sabe que está cometendo ao usar compressão

Evitando os 9 erros de compressão a seguir, você não vai ter com o que se preocupar, e em pouco tempo estará usando o compressor como um profissional.

Bruce Swedien, premiado engenheiro de mixagem, tem um ditado famoso:

“Compressão é para crianças.”

 

Você quer saber a verdade?

Compressão é uma ferramenta importantíssima, e se você quer uma sonoridade moderna pra suas mixagens, você vai ter que usa-la. O problema é que dominar a compressão é uma tarefa complicada. Existem centenas de plugins e periféricos para escolher, vários parâmetros para ajustar, e uma infinidade de sonoridades que você pode alcançar. Com tantas opções, é fácil se perder. Mais fácil ainda é cometer erros que podem acabar sugando a vida e a dinâmica da sua mixagem.

1. Você está preso no passado

Claro, existem dezenas de emulações incríveis e fiéis do Urei 1176. UREI_1176LN_original

Mas é um compressor que foi lançado a CINQUENTA anos. Óbvio que é uma ferramenta incrível com uma sonoridade muito característica, que se tornou até uma marca registrada por ser usado em um número gigantesco de produções desde que ele foi lançado até os dias de hoje. É um dos compressores mais icônicos e reconhecidos do mercado. Mas será que ele é realmente o compressor certo pra chegar ao som que está em sua cabeça?

É tentador usar uma ferramenta clássica pra atingir os resultados que já estamos acostumados a ouvir em mixagens de artistas que deixaram sua marca na história da música, mas existem vários compressores modernos que tem opções mais versáteis e sonoridade incrível que podem se encaixar melhor na música ou estilo que você está mixando.

2. Você está usando o tempo de ataque mais rápido do que precisa

A compressão rápida é sedutora.

Ela atenua rapidamente qualquer sinal que passe do threshold, o que pode fazer com que uma pista se encaixe na mixagem com pouco esforço. Por essa razão, muitos engenheiros de mixagem usam ataques rápidos em quase tudo.

Então qual seria o problema?

O ataque rápido DESTRÓI os transientes. Transientes são importantíssimos para manter energia e impacto numa mixagem. Eles estão presentes em várias situações: nas consoantes em uma linha de voz, no início de cada nota de um piano, e são especialmente importantes nos tambores da bateria e em instrumentos de percussão.

Já falamos disso Neste post:

Usando Attack e Release

Tempos de ataque curtos reduzem ou até eliminam o impacto que esses instrumentos tem, reduzindo sua presença característica no conjunto de instrumentos. Mas ao invés de evitar comprimir instrumentos com transientes, por que não ajustar o compressor para que ele trabalhe mais devagar? Dessa forma você permite que os transientes façam seu trabalho, e o compressor vai trabalhar com o que vem depois deles, ou seja, o sustain. Trabalhando assim você pode inclusive usar o compressor com ataque lento como uma ferramenta que acentua os transientes, aumentando o impacto e a energia da mix.

3. Você comprime fora de contexto

Ao usar um compressor, mudanças sutis podem ser difíceis de se notar. Por essa razão pode ser tentador usar o botão “Solo” para ouvir as mudanças no comportamento do compressor em um instrumento específico, sem que as outras pistas mascarem o que está acontecendo ali.

O problema é que ao ouvir uma pista fora de contexto, você acaba tomando decisões que façam aquele instrumento soar bem sozinho, o que não necessariamente vai funcionar no contexto da música. Você corre o risco de precisar reajustar algumas coisas quando estiver ouvindo o instrumento ajustado em contexto, ou até de se dar conta de que as decisões que você tomou não funcionam bem com o resto da música.

Muitas vezes o instrumento precisa de mais compressão pra funcionar no contexto do que ele precisaria ao ser ouvido sozinho. Dessa forma, usar o Solo para tomar decisões na compressão pode te induzir a comprimir menos do que o necessário. Essa dica vale também para equalização.

4. Você comprime tudo

Eu amo farofa, de coração. Assim como muita gente daqui do nordeste, gosto de misturar farofa com tudo: feijão, arroz, churrasco, macarrão. Tudo fica melhor com farofa.

Compressão não é que nem farofa.

Se você usa compressão em tudo, corre um alto risco de acabar com uma sonoridade pequena, sem vida e sem dinâmica. Sempre tenha um bom motivo pra comprimir um instrumento. E o mais importante de tudo:

Não tenha medo de deixar alguma coisa do jeito que está, se ela estiver soando bem.

Exemplos de instrumentos que muitas vezes não precisam de qualquer tipo de compressão: guitarras distorcidas, synths, instrumentos virtuais e alguns samples de bateria. Se não está quebrado, não tente consertar.

5. Você mixa com o volume muito alto

Com o volume alto é muito fácil ouvir tudo.

Tudo soa grande e tem impacto, então você imediatamente sente que está indo bem. Ao abaixar o volume, você vai começar a perceber que boa parte dos detalhes começam a desaparecer.

A voz vai começar a sumir em algumas partes, aquele detalhe do piano começa a ser completamente soterrado pelos violões, e de repente você sente que não está indo tão bem assim. Abaixar o volume te força a tomar decisões melhores e a comprimir mais onde é realmente necessário, e isso é uma coisa muito boa. A tendência é que isso te leve a fazer uma mixagem que soa bem em qualquer volume. Mixar em volumes baixos vai te ajudar a melhorar seus resultados.

6. Você usa compressão para evitar automação

Como a compressão nivela o volume dos elementos, você pode acabar usando usando-a para equilibrar a mix. Isso pode levar você a conseguir ouvir todos os elementos da mixagem do início ao fim sem precisar mexer em um fader sequer. Mas na maioria das vezes essa mixagem vai soar mecânica e sem movimento.

Nada substitui o fader.

Não tenha medo de comprimir menos os elementos importantes da mix para que você possa usar automação e ir trazendo cada instrumento para seu lugar em cada trecho da música. Sua mix vai soar muito mais humana e empolgante.

Leia mais sobre isso AQUI

7. Você usa compressão multibanda sem necessidade

Mesmo que a compressão multibanda seja uma ferramenta popular para alguns, ela acaba funcionando melhor como uma ferramenta de correção de problemas do que como uma ferramenta criativa. Você só deve usa-la se for realmente necessário.

Leia sobre compressão multibandac6 waves

Dividir os canais em bandas diferentes pode levar a vários problemas de fase e diferentes artefatos que podem e devem ser evitados. Na maioria dos casos, compressão simples vai cumprir a função necessária sem nenhum tipo de problema. Mas não tenha medo de usar compressão multibanda depois de experimentar um compressor simples e ver que ele não está funcionando bem.

8. Você está sobrecarregando um compressor só

Quando uma mix precisa de muita compressão, vale a pena dividir esse trabalho em estágios. Muitas vezes um engenheiro de mixagem quer que sua mix soe mais alta, então ele acaba sobrecarregando um compressor no bus, o que pode trazer diversos artefatos não desejados.

Ao invés disso, é possível comprimir cada instrumento individualmente, depois um pouco mais nos seus grupos e aí o compressor do bus vai precisar trabalhar muito menos. Os resultados são muito mais transparentes e musicais.

9. Você não compensa os volumes quando está comprimindo

A maioria dos compressores tem um controle chamado “Make-up Gain”. Ele é usado pra compensar o volume de saída do compressor, para que a redução de ganho não faça o material comprimido soar mais baixo que o original.

Se não for usado com cuidado, o Make-up gain pode fazer a pista soar mais alta do que ela era, fazendo com que seja difícil julgar se ela realmente está soando melhor.

Use o Bypass pra determinar se o make up foi usado exageradamente ou se a pista realmente está soando melhor, e sempre ajuste o make up de forma que não haja mudança de volume quando você ativar ou desativar o Bypass.

 

Evitando esses 9 erros, você certamente estará no caminho pra entender e usar melhor a compressão em suas mixagens.

Lembre-se sempre de arriscar e ser agressivo para descobrir como a ferramenta que você está usando funciona e como ela pode ser útil na situação em que você decidiu usa-la, reajustando para configurações mais conservadoras (ou não) onde for necessário. Teste diferentes compressores em diferentes instrumentos e situações, e assim você poderá determinar o que funciona melhor para você e para seus clientes.

Happy mixing!

 

Este texto foi traduzido e modificado de um artigo do site theproaudiofiles.com

Sobre Raphael Oliveira

Engenheiro de áudio formado pelo Trebas Institute (Toronto, Canadá). Técnico no estúdio Ampera Records em Salvador. Amante de equipamentos analógicos, obcecado por plugins e maníaco do Pro Tools e seus atalhos. Gamer não muito talentoso nas horas vagas.

Confira também

O Spotify abaixou o volume!

Seria o fim das mixagens exageradamente altas? O Spotify vai definir agora!

%d blogueiros gostam disto: