sábado , 29 abril 2017
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Mixagem não precisa ser difícil …ou Star Wars episódio 1

Existem muitos mitos com relação a mixagem. Pra mim o principal deles é que mixar é uma coisa difícil de ser feita.

 

Mixar não é difícil.

 

Mixar pode ser difícil, mas dizer que mixar é difícil seria contradizer o trabalho de uma boa parte dos melhores engenheiros de mixagem do mundo, que mixam com muita facilidade.

Tem muita gente começando nesse meio, que está buscando informação e que se depara com algumas pessoas passando técnicas dificílimas de entender, mais difíceis ainda de serem aplicadas, e assim acaba acreditando que a única forma de se fazer uma mix é fazendo um curso na Nasa de 10 anos e depois especialização em Harvard por mais 10 anos, mas não é bem assim, no geral a coisa é simples.

Deixa eu falar de novo pra ficar bem claro, no geral a coisa é simples.

Bill Bottrell
Bill Bottrell

Lembro de um comentário de Patrick Leonard sobre um trabalho que ele produziu de Elton John. Eles chamaram Bill Botrell para mixar, o cara chegou lá, fez o trampo dele, puta som! Aí no final o Leonard perguntou se ele não achava que faltava um pouco de brilho nos pratos… Ele foi lá, aumentou um pouco do agudo nos pratos e copiou a música. Quando ele foi embora os técnicos do estúdio foram checar como ele fez pra tirar aquela sonzeira toda, porra, o cara é uma lenda! Eles descobriram que ele não tinha usado nenhum hardware externo, nenhum reverb ou delay, nenhum compressor, nenhum equalizador, apenas tinha usado a equalização nos pratos, aquela que Leonard tinha pedido.

O CARA TIROU AQUELE PUTA SOM USANDO SOMENTE OS FADERS!!!

E estamos falando de um dos maiores engenheiros de som do mundo (pesquise), mixando um trabalho de um dos maiores produtores musicais do mundo (pesquise) para Elton John, um dos maiores superstars do mundo (se você precisar pesquisar, mude de planeta, por favor :-), isso não teve nada a ver com falta de verba, falta de tempo ou qualquer outra merda, isso teve a ver com RESULTADO.

Vejo muita gente falando sobre técnicas divertidas, como compressão paralela, equalização dinâmica, compressão por banda de frequência, ducking de um canal no outro… A lista é longa, mas invariavelmente quando paro pra ouvir o resultado dessas pessoas acho tudo muito fraco…

Me lembra o episódio I do Star Wars.

Sou fã da Saga, assisti o primeiro filme no cinema em 1977 com seis anos de idade me escondendo do lanterninha! hehehe, quando saiu um novo filme, depois de tantos anos, claro que eu tinha que ver!darth fader

Fui todo feliz pro cinema, terminou o filme e saí com aquela sensação de…. Hum… É…. Sei lá… Até que não aguentei e desabafei para um amigo que foi comigo:

 

– Caralho véio, que filme ruim!

Aí ele me explicou que tudo o que eu estava vendo era cenário virtual, que eles usaram tela verde em tudo, que foi tudo feito com computação gráfica, que a tecnologia usada no filme era de ponta, e blá, bla, blá… Novamente eu:

– Mas o filme é ruim!!!

É o que sinto quando ouço algumas mixes de gente cheia de técnica, cheia de papo complicado, mas que no final, soa mal.

Desculpe, Bob Rock chegou a abrir uma mesa Neve e trocar todos os CIs dela para ficar igual a um modelo em particular que ele gostava, depois ele mandou quebrar o teto do estúdio pra deixar a sala mais alta pra gravar a bateria, loucura, né? Mas disso sairam discos que tinham uma sonoridade monstruosa! Muito acima do padrão da época. Então, beleza, o resultado compensa a loucura toda, é isso aí, tamo junto! Agora, se o cara faz tudo isso e o som é ruim…

Prefiro assistir o primeiro filme do Star Wars, feito com maquetes e stop motion do que o episódio I feito com alta tecnologia.

Eu falo demais, né? Devo me achar “O engenheiro de mixagem“, né? Não é isso não, quem me conhece sabe que não tenho nada de arrogante, nem de prepotente. É que me incomoda muito ver um monte de gente ser levada a acreditar em coisas desnecessárias e perder tempo de vida com isso.

Eu lancei um workshop gratuito, o Mixando! São mais de 4:40h de material, tudo com alta qualidade de áudio e vídeo, onde peguei uma música e mixei num estúdio comercial, com mesa analógica, e depois no meu home studio, in the box. Lá eu falo muito mais sobre mixagem, e mostro na prática como eu trabalho nesse meio e me destaco nele há mais de 20 anos. É só se inscrever na Newsletter do meu site para ter acesso aos vídeos e assistir quantas vezes quiser, a hora que quiser.

 

www.pauloanhaia.com.br

 

Ah, e tenho certeza que você vai achar simples demais a forma como eu trabalho, mais do que isso, vai parecer bem fácil 🙂

 

Um abração e boas mixes!

Sobre Paulo Anhaia

Músico desde 1984, produtor desde 1994, ministra cursos de produção e áudio desde 2010. Continua tocando, compondo, produzidno, gravando, editando, mixando e masterizando. Contato para trabalhos contato@pauloanhaia.com.br

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  • Adriano Ferreira

    boa!!!

  • Alexandre Rabaco

    É isso! Simples assim…

  • Helison Moura

    Boa tarde, Paulo! Concordo que a mixagem pode ser simples, mas também entendo que o que leva isso a se tornar simples é começar bem: um bom estúdio, boa captação, bons instrumentistas, bons instrumentos. Vi um vídeo do Rick Bonadio mixando no Midas em que ele só equalizou alguns parâmetros e aquilo pareceu facílimo. Porém, a realidade da maioria dos brasileiros que procuram por essas informações na internet é bem diferente. Muitos têm home-studio ou querem ter um (como é o meu caso), e o projeto já inicia todo com baixo orçamento, o cara chega na mixagem tendo que mexer em praticamente tudo (ou tentando, pra ver se resolve alguma coisa, rsrs). É muito raro uma gravação caseira ou em um estudio “popular” ficar a ponto de precisarmos só equalizar alguns parâmentros. Creio que isso seja a causa de toda essa procura desesperada por plugins e mais plugins que prometem milagres mas só fazem a gravação ficar com som de video-game dos anos 90… kkkk.
    Abraços!
    PS.: curti muito sua apostila mix in the box.