sábado , 29 abril 2017
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Posição de referência – Dicas de Monitor

Hoje em dia as ferramentas para monitoração em shows e espetáculos ao vivo tem aumentado cada vez mais , para se ter uma idéia há equipamentos que já prometem imagens 3D em tempo real nos fones de forma que quando acontecer movimentos ou deslocações físicas do músico ou cantor sensores captarão essas informações e reproduzirão essa imagem de posicionamento para todos os fones. Interessante né?

Mas enquanto a tecnologia nos apresenta novas possibilidades e uma quantidade de pessoas correm velozmente atrás de novidades que tal se pelos menos o conceito básico de monitoração fosse compreendido e aplicado?

Falo isso porque é fácil encontrar engenheiros de monitor ignorando alguns conceitos básicos de como monitorar um sinal. Você já viu músicos reclamando ao engenheiro de monitor sobre distorções, da mix ou de interferências acontecendo no fone enquanto que para o engenheiro tudo parecia normal? Lhe parece comum ou até já lhe aconteceu em algum momento isso também?

Posso te afirmar que comigo isso já aconteceu muitas vezes até eu perceber que na verdade eles estavam com razão e eu que estava errado. Mas aonde errei ? A resposta é simples , tudo era questão do que chamo “Posição de referência”. É muito comum ver engenheiros de monitor monitorando a mix do artista ou músico pelo cue ou solo da mesa, mas porque está errado usar assim?

Veja alguns motivos:

  • Dessa forma você não consegue monitorar se há ou não interferências de RF acontecendo no fone do artista ou músico
  • Dessa forma você não consegue monitorar o volume real que está no fone do artista ou músico
  • Dessa forma você não consegue monitorar a resposta de frequência real e final e também não consegue saber a qualidade real de transmissão que está sendo enviado da mesa para o bodypack. Será que alguma coisa não se perdeu na transmissão ?

 

Importante pensarmos nisso e considero já termos alguns fatores para não monitorar pela saída da mesa.

Como poderiamos fazer então?engeneer mode

Se o seu sinal sai da mesa e entra no transmissor e depois é recebido pelo bodypack(receptor) me parece mais sensato e real ser ali seu ponto de referência, pois é ali que o musico ou artista escutará, mas para que isso aconteça pegue um bodypack e coloque na mesma frequência do artista ou músico e monitore pelo bodypack tendo a mesma referencia de áudio que ele, essa seria uma solução para sistemas antigos que não permitem multifrequências no receptor, mas hoje felizmente sistemas da sennheiser e shure já nos oferecem a possibilidade de monitorar mais de uma frequência em um único bodypack através da função ENGINEER MODE ( Modo Engenheiro ) para sistemas Sennheiser ew300 e nos Shure através da função CUE MODE.

Como isso funciona?

Vou explicar usando o exemplo do Sennheiser EW300 para que você entenda essa funcionalidade:

  • Em primeiro lugar pegue o seu Bodypack e entre no MENU
  • Entre em seguida na opção ADVANCED
  • Em seguida entre na função ENGINEER MODE
  • Ao acessar a primeira coisa a se fazer na função é entrar em CLEAR LIST e apagar qualquer lista de frequências que porventura já estejam salvas.
  • Depois acesse PROFILE LIST que é o local aonde você terá opção de escolher até 16 frequências no seu bodypack para monitoração.
  • Acesse PROFILE LIST 1 e clique em SET , ao fazer isso o bodypack acenderá uma luz indicando que você precisa syncar o bodypack com o transmissor que deseja como frequência 1 , faça esse processo e você já terá no profile 1 a frequencia que escolheu para ser a 1.
  • Para PROFILE 2 ,3 e etc… o processo será o mesmo.
  • Ao completar sua lista de frequências seu bodypack está pronto para ser usado.
  • Para você trocar as frequências durante a apresentação clique no botão (>) que move o cursor para direita. A cada clique para direita você troca a frequência pela seguinte.

Sem dúvida esse é um bom recurso para engenheiros de monitor monitorarem os sinais de áudio.

Além do modo normal muitas aplicações criativas podem ser aplicadas com esse recurso. Posso citar o profissional Luiz Clemente ( Téc de monitor da banda Jota Quest ) que usa 3 auxiliares para Rogério Flausino, por um ele envia uma mix stereo considerando os momentos em que Rogério usa os dois lados do fone no show e por outro envia uma mix mono considerando os momentos que Rogério usa só um lado do fone. Ai através da função Engineer Mode Rogério varia entre uma mix stereo (profile 1) ou uma mix mono (profile 2).

Outra aplicação é entregar um bodypack na função Engineer Mode para o roadie e enviar opções de mix para ele.

Exemplo:

  1. Mesma mix do músico no profile 1
  2. Comunicação interna no profile 2
  3. Mesma mix do músico mas com o instrumento do músico pré mute para que o roadie possa sempre checar se está funcionando.

Galera opções não faltam , basta você escolher a sua.

Abaixo segue um vídeo explicativo :

Sobre Douglas Barba

Iniciou sua carreira profissional em 2006 , formado pelo IAV e SENAC trabalha atualmente como técnico de monitor da dupla sertaneja Maick & Lyan tendo trabalhado em outras bandas e trabalhos como: Ao Cubo ,Funk Como Le Gusta , Léo & Júnior , Tuta Guedes , Rapadura , Rodriguinho, Musical O Corcunda de Notre Dame , Musical O Peixonauta , Band , ESPN Brasil , Rit TV.

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  • Eddy Santos

    Muito bom isso vlw Barba