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quinta-feira , 6 maio 2021

MASTERIZAÇÃO: Entendendo o Compressor.

Quem nunca ouviu um CD mais baixo do que o outro?
Quando falamos de volume em um CD, a primeira coisa em que pensamos é na masterização. Para saber o quanto essa influi no volume, precisamos entender como é esse processo.
A Masterização é um processo de finalização de uma mixagem multi tracks em 2 canais Left and Right (L-R, neste caso especifico não falarei de 5.1 e outros). Neste processo, a depender da necessidade, poderão ser feitas algumas correções finais como tirar freqüências em excesso ou colocar-las, no caso de falta; recriar uma sala ou uma ambiência e como a maior das aplicações na visão de alguns produtores e gravadoras, atenuar picos e controlar a dinâmica por meio de compressão e/ou limitação, ou seja, o grande desejo é conquistar o máximo de volume possível.

 

Entendendo o Compressor

Vamos entender dois aspectos:

• Como funciona um Compressor:

MASTERIZAÇÃO: Entendendo o Compressor. 1

Esse aparelho possui 5 parâmetros principais:

-Threshold: Ponto limiar em que o compressor tem que agir;

-Attack: Quanto tempo demora para atenuar o sinal;

-Release: Em que velocidade depois de atuar o compressor deixa de atuar;

-Ratio: Taxa de atenuação (ex 3:1 divide-se o sinal que passar o Threshold por 3;no caso da taxa ∞ :1 ,o sinal nao irá passar,taxa infinita,limiter)

-Modos de Compressão: Hardknee ou Softknee (dura e branda).

 

• Como funciona a recepção do nosso ouvido a um conjunto de sinais sonoros, neste caso música.

Numa finalização existe um limite técnico máximo antes da distorção. Para um melhor entendimento, digamos que seja zero. O nosso ouvido identifica como volume máximo de uma musica, um “todo“, ou seja, o RMS  e não absorve os picos numa equação final, por exemplo:

Uma musica´´A´´ possui volume rms de -15 db e alguns transientes (picos) até zero, nosso ouvido reconhece como volume da musica -15 db.

Uma musica ´´B´´ possui volume rms de -5db e com transientes alcançando zero. Nosso ouvido entenderá – 5 db como volume máximo.

Logo amusica ´´B´´ será mais alta que a musica ´´A´´ , isto para os nossos ouvidos por que tecnicamente as duas musicas estão no limite zero antes da distorção.

 

Entendendo o conceito da Masterização

As masterizações atuais comprimem os picos e sobem todo o bloco,  transformando tudo numa única massa sonora e com volume máximo aos ouvidos.
Mas qual a vantagem de tirar todas as nuances e dinâmicas de uma musica?
Para grande parte  dos  produtores e gravadoras, volume é um padrão e sinônimo de sucesso. Dai então os Compressores e Limiters são seus maiores aliados. Dificilmente uma gravadora lançaria um disco independente que tivesse sido produzido sem masterizar-lo.
Na década de 80, a banda pop americana Toto, gravou discos belíssimos com pouca compressão (ex: a musica Africa) e que estão marcadas na historia como grandes sucessos em vendas. Podemos também citar os Beatles e até no presente o guitarrista e compositor Pat Metheny, que no seu novo album ´´Speaking of Now´´ trás uma mix solta, cheia de nuances, deixando realmente a música acontecer,outro desta mesma vertente de master mais solta,em relacao aos moldes atuais , seria james taylor,seu album “Hourglass‘,deixa bem claro sua dinamica um pouco mais “relaxada“. Esses e outros artistas venderam e vendem muito!

TOTO – AFRICA


Em contra partida tem o Hip Hop e o pop rock moderno, sucessos de vendas hoje em dia nos Estados Unidos e no mundo inteiro, que utilizam uma concepção de mixagem e masteriazação muito mais comprimida e limitada, talvez porque estes estilos dependam dessa característica para soar. Posso citar como bom exemplo  o Marron 5 , que em seu album “Songs about Jane“  traz um som gordo, um bloco sonoro mas muitissimo bem feito.

Outro campeåo de vendas no estilo  Hip-Hop/Pop: Usher  e seus albuns marcam por ter uma sonoridade forte , sem muitas nuances.

USHER – YEAH


 

Temos que ter em mente é que são estilos diferentes, e precisam ter concepções diferentes.
Na maioria dos casos boas masterizações  até salvam mixagens com problemas, entretanto muitas vezes , na procura exacerbada por volume em uma masterização, podemos correr o risco de transformar uma música em um “tijolo sonoro” distorcido.
Será que é muito trabalhoso aumentar o volume do som do carro ou de um micro sistem ao trocar de cd?

Será que não é mais desconfortável abaixar o volume que está distorcido ( no caso de uma masterização mal feita na tentativa de alcançar o padrão atual )?
Decida qual será  a linha que seu trabalho irá trilhar, desde a captaçåo até a mixagem, nåo esquecendo que a masterizaçåo é uma etapa do processo de extrema importancia , e por isso deve ser feita por um profissional competente e de muita experiencia! Acredito que fato não se discute, mas gosto sim!  As regras eståo aí para serem quebradas, procure ter bom gosto e acima de tudo, bom senso  e lembre-se:  AUDIO é MúSICA !

 

Sobre Tito Menezes

É colaborador do Áudio Repórter, Engenheiro de som e produtor técnico. Atualmente comanda o seu próprio estúdio móvel.

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9 comentários

  1. Grande aula com velho Tito Menezes !!!

  2. Esse é de lascar o cano! Valeu Tito .

  3. Arrebentou no post principalmente onde cita as compressões menos densas… eu particularmente mesmo trabalhando com hip hop prefiro esse estilo de mix… as nuances devem certamente ser percebidas para não virarem algo igual!

  4. olha sou locutor do armazém paraíba trabalho com mini trio vc pode mim da um informo como equalizar o equalizador e cross over para ter mas qualidade . todo e da marca ciclotron ,, muito obrigado

  5. Muito bem colocado o fato de que cada estilo e música, pede uma Mix/Master peculiar, não só do ponto de vista audível, mas também de quem vai consumir essas músicas, são poucos que tem cultura e bom gosto musical para definir o que é bem feito do que não é, dai surge a Master “coice de mula” aonde o alto absurdo se torna bom!!…….conceitos!!

  6. Quer ouvir um som bem comprimido? ouve uma mix do Lisciel.

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