terça-feira , 18 dezembro 2018
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MASTERIZAÇÃO: Entendendo o Compressor.

Quem nunca ouviu um CD mais baixo do que o outro?
Quando falamos de volume em um CD, a primeira coisa em que pensamos é na masterização. Para saber o quanto essa influi no volume, precisamos entender como é esse processo.
A Masterização é um processo de finalização de uma mixagem multi tracks em 2 canais Left and Right (L-R, neste caso especifico não falarei de 5.1 e outros). Neste processo, a depender da necessidade, poderão ser feitas algumas correções finais como tirar freqüências em excesso ou colocar-las, no caso de falta; recriar uma sala ou uma ambiência e como a maior das aplicações na visão de alguns produtores e gravadoras, atenuar picos e controlar a dinâmica por meio de compressão e/ou limitação, ou seja, o grande desejo é conquistar o máximo de volume possível.

 

Entendendo o Compressor

Vamos entender dois aspectos:

• Como funciona um Compressor:



Esse aparelho possui 5 parâmetros principais:

-Threshold: Ponto limiar em que o compressor tem que agir;

-Attack: Quanto tempo demora para atenuar o sinal;

-Release: Em que velocidade depois de atuar o compressor deixa de atuar;

-Ratio: Taxa de atenuação (ex 3:1 divide-se o sinal que passar o Threshold por 3;no caso da taxa ∞ :1 ,o sinal nao irá passar,taxa infinita,limiter)

-Modos de Compressão: Hardknee ou Softknee (dura e branda).

 

• Como funciona a recepção do nosso ouvido a um conjunto de sinais sonoros, neste caso música.

Numa finalização existe um limite técnico máximo antes da distorção. Para um melhor entendimento, digamos que seja zero. O nosso ouvido identifica como volume máximo de uma musica, um “todo“, ou seja, o RMS  e não absorve os picos numa equação final, por exemplo:

Uma musica´´A´´ possui volume rms de -15 db e alguns transientes (picos) até zero, nosso ouvido reconhece como volume da musica -15 db.

Uma musica ´´B´´ possui volume rms de -5db e com transientes alcançando zero. Nosso ouvido entenderá – 5 db como volume máximo.

Logo amusica ´´B´´ será mais alta que a musica ´´A´´ , isto para os nossos ouvidos por que tecnicamente as duas musicas estão no limite zero antes da distorção.

 

Entendendo o conceito da Masterização

As masterizações atuais comprimem os picos e sobem todo o bloco,  transformando tudo numa única massa sonora e com volume máximo aos ouvidos.
Mas qual a vantagem de tirar todas as nuances e dinâmicas de uma musica?
Para grande parte  dos  produtores e gravadoras, volume é um padrão e sinônimo de sucesso. Dai então os Compressores e Limiters são seus maiores aliados. Dificilmente uma gravadora lançaria um disco independente que tivesse sido produzido sem masterizar-lo.
Na década de 80, a banda pop americana Toto, gravou discos belíssimos com pouca compressão (ex: a musica Africa) e que estão marcadas na historia como grandes sucessos em vendas. Podemos também citar os Beatles e até no presente o guitarrista e compositor Pat Metheny, que no seu novo album ´´Speaking of Now´´ trás uma mix solta, cheia de nuances, deixando realmente a música acontecer,outro desta mesma vertente de master mais solta,em relacao aos moldes atuais , seria james taylor,seu album “Hourglass‘,deixa bem claro sua dinamica um pouco mais “relaxada“. Esses e outros artistas venderam e vendem muito!

TOTO – AFRICA


Em contra partida tem o Hip Hop e o pop rock moderno, sucessos de vendas hoje em dia nos Estados Unidos e no mundo inteiro, que utilizam uma concepção de mixagem e masteriazação muito mais comprimida e limitada, talvez porque estes estilos dependam dessa característica para soar. Posso citar como bom exemplo  o Marron 5 , que em seu album “Songs about Jane“  traz um som gordo, um bloco sonoro mas muitissimo bem feito.

Outro campeåo de vendas no estilo  Hip-Hop/Pop: Usher  e seus albuns marcam por ter uma sonoridade forte , sem muitas nuances.

USHER – YEAH


 

Temos que ter em mente é que são estilos diferentes, e precisam ter concepções diferentes.
Na maioria dos casos boas masterizações  até salvam mixagens com problemas, entretanto muitas vezes , na procura exacerbada por volume em uma masterização, podemos correr o risco de transformar uma música em um “tijolo sonoro” distorcido.
Será que é muito trabalhoso aumentar o volume do som do carro ou de um micro sistem ao trocar de cd?

Será que não é mais desconfortável abaixar o volume que está distorcido ( no caso de uma masterização mal feita na tentativa de alcançar o padrão atual )?
Decida qual será  a linha que seu trabalho irá trilhar, desde a captaçåo até a mixagem, nåo esquecendo que a masterizaçåo é uma etapa do processo de extrema importancia , e por isso deve ser feita por um profissional competente e de muita experiencia! Acredito que fato não se discute, mas gosto sim!  As regras eståo aí para serem quebradas, procure ter bom gosto e acima de tudo, bom senso  e lembre-se:  AUDIO é MúSICA !

 

Sobre Tito Menezes

É colaborador do Áudio Repórter, Engenheiro de som e produtor técnico. Atualmente comanda o seu próprio estúdio móvel.

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