quinta-feira , 13 dezembro 2018
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Compressão de potência – Parte 2

Continuamos com a segunda parte do post, se você não viu a primeira CLIQUE AQUI

 

Será que os amplificadores deveriam fornecer mais potência que os transdutores suportam?

Pensando no headroom, a resposta é sim.

Pensando no excesso de RMS, ao se abusar da potência e até chegando a ondas quadradas, a resposta pode ser não.

Acredito que o maior problema esteja nos níveis em que os sistemas operam. Na prática, o que tenho visto são operadores que exigem bastante dos sistemas, que muitas vezes são subdimensionados. São poucos os que respeitam os limites do tamanho do sistema instalado. Se um sistema foi subdimensionado ou está “na conta” para um determinado ambiente, não importa, o operador vai tentar fazer aquele sistema soar com a pressão de um sistema duas ou quatro vezes maior. Soma-se a isso o excesso das compressões dos programas de áudio. Tudo conspira para um elevado RMS e baixa faixa dinâmica. O resultado, em geral, são elevados níveis RMS e, no caso dos alto falantes, altíssimas temperaturas. O dano nos alto falantes é só uma questão de tempo.

 

O limiter é a salvação?limiter behringher

Há ainda o conceito de que o limiter é a salvação de todos os problemas operacionais. Na minha opinião, limiters são circuitos que foram desenvolvidos para não serem utilizados. São circuitos feitos para uma situação limite, como o próprio nome indica. Se devem operar em casos emergenciais e instantâneos, porque será que em alguns sistemas eles operam acesos durante todo o tempo? Chegará um momento em que as ondas sofrerão tanta redução dos picos que o resultado poderá ser apenas ondas quadradas. Os limiters RMS são destinados a redução da temperatura nas bobinas e os limiters de pico são destinados a redução de excessos de deslocamentos gerados pelos transientes. Os tempos de attack são menores e os de release maiores, podendo operar em torno de até 5 segundos.

Em sistemas passivos observo muitos danos causados por excesso de excursão nos alto falantes, muitas vezes originados por uma simples inversão nos cabos de sinal de áudio que alimentam os amplificadores de potência. Os alto falantes desenvolvidos para médios são mais velozes, porém apresentam menor X Máximo (amplitude no deslocamento do cone), em relação aos alto falantes de graves e subgraves. Ao se inverter o sinal de áudio, muitas vezes, não se percebe mudança radical na sonoridade mas o estrago mecânico e elétrico pode ser muito grande.

Este é um dos motivos pelo qual sou fã de sistemas ativos e processados. Estes que apresentam apenas uma entrada de áudio para cada caixa acústica, independente do número de vias. Há apenas um conector XLR e um de energia. Claro que se bem resolvidos pelo fabricante em relação a fase, resposta em frequência, pressão sonora, cobertura, linearidade etc. Estes sistemas permitem ainda o envio de sinais a blocos distintos e o desmembramento do sistema para trabalhar em diversos ambientes simultâneamente.

 

Quando um alto falante se queima qual o procedimento mais comum? troca-se o alto falante ou é feita a manutenção de seu reparo. Mas uma pergunta que nem sempre é feita é:

O que gerou este dano?

E outra ainda mais importante: O que aconteceu com os demais alto falantes que continuaram funcionando?

Será que o excesso de potência, DC ou elevado RMS aplicado não alterou as características dos demais alto falantes? Se isto aconteceu pode ser que a cada dia um ou mais apresentarão defeito, não necessariamente todos ao mesmo tempo. Este fato pode levá-lo a perder a confiança no sistema. Se este sistema funcionou durante meses ou anos sem nenhum problema, porque será que repentinamente começou a apresentar falhas seguidamente? A resposta pode estar em apenas um show em que o sistema “apanhou” mais do que suportaria.

São raros os sistemas super dimensionados. Quando digo super dimensionados não me refiro a desperdícios exagerados e sim instalações de sistemas que não precisem operar, constantemente, em 101% da sua capacidade máxima.

O tão pouco falado Headroom poderia voltar a ficar na moda.

Sobre Denio Costa

Denio Costa é diretor da empresa de projetos DGC Áudio, Vídeo e Acústica e da escola de audio: Núcleo de Formação Profissional - NFP. Elabora projetos e presta serviço de otimização de sistemas de áudio. Consultor da Attack do Brasil. www.dgcaudio.com.br deniocosta@dgcaudio.com.br projetos@dgcaudio.com.br

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