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quinta-feira , 23 setembro 2021

Compressão de potência – Parte 2

Continuamos com a segunda parte do post, se você não viu a primeira CLIQUE AQUI

 

Será que os amplificadores deveriam fornecer mais potência que os transdutores suportam?

Pensando no headroom, a resposta é sim.

Pensando no excesso de RMS, ao se abusar da potência e até chegando a ondas quadradas, a resposta pode ser não.

Acredito que o maior problema esteja nos níveis em que os sistemas operam. Na prática, o que tenho visto são operadores que exigem bastante dos sistemas, que muitas vezes são subdimensionados. São poucos os que respeitam os limites do tamanho do sistema instalado. Se um sistema foi subdimensionado ou está “na conta” para um determinado ambiente, não importa, o operador vai tentar fazer aquele sistema soar com a pressão de um sistema duas ou quatro vezes maior. Soma-se a isso o excesso das compressões dos programas de áudio. Tudo conspira para um elevado RMS e baixa faixa dinâmica. O resultado, em geral, são elevados níveis RMS e, no caso dos alto falantes, altíssimas temperaturas. O dano nos alto falantes é só uma questão de tempo.

 

O limiter é a salvação?limiter behringher

Há ainda o conceito de que o limiter é a salvação de todos os problemas operacionais. Na minha opinião, limiters são circuitos que foram desenvolvidos para não serem utilizados. São circuitos feitos para uma situação limite, como o próprio nome indica. Se devem operar em casos emergenciais e instantâneos, porque será que em alguns sistemas eles operam acesos durante todo o tempo? Chegará um momento em que as ondas sofrerão tanta redução dos picos que o resultado poderá ser apenas ondas quadradas. Os limiters RMS são destinados a redução da temperatura nas bobinas e os limiters de pico são destinados a redução de excessos de deslocamentos gerados pelos transientes. Os tempos de attack são menores e os de release maiores, podendo operar em torno de até 5 segundos.

Em sistemas passivos observo muitos danos causados por excesso de excursão nos alto falantes, muitas vezes originados por uma simples inversão nos cabos de sinal de áudio que alimentam os amplificadores de potência. Os alto falantes desenvolvidos para médios são mais velozes, porém apresentam menor X Máximo (amplitude no deslocamento do cone), em relação aos alto falantes de graves e subgraves. Ao se inverter o sinal de áudio, muitas vezes, não se percebe mudança radical na sonoridade mas o estrago mecânico e elétrico pode ser muito grande.

Este é um dos motivos pelo qual sou fã de sistemas ativos e processados. Estes que apresentam apenas uma entrada de áudio para cada caixa acústica, independente do número de vias. Há apenas um conector XLR e um de energia. Claro que se bem resolvidos pelo fabricante em relação a fase, resposta em frequência, pressão sonora, cobertura, linearidade etc. Estes sistemas permitem ainda o envio de sinais a blocos distintos e o desmembramento do sistema para trabalhar em diversos ambientes simultâneamente.

 

Quando um alto falante se queima qual o procedimento mais comum? troca-se o alto falante ou é feita a manutenção de seu reparo. Mas uma pergunta que nem sempre é feita é:

O que gerou este dano?

E outra ainda mais importante: O que aconteceu com os demais alto falantes que continuaram funcionando?

Será que o excesso de potência, DC ou elevado RMS aplicado não alterou as características dos demais alto falantes? Se isto aconteceu pode ser que a cada dia um ou mais apresentarão defeito, não necessariamente todos ao mesmo tempo. Este fato pode levá-lo a perder a confiança no sistema. Se este sistema funcionou durante meses ou anos sem nenhum problema, porque será que repentinamente começou a apresentar falhas seguidamente? A resposta pode estar em apenas um show em que o sistema “apanhou” mais do que suportaria.

São raros os sistemas super dimensionados. Quando digo super dimensionados não me refiro a desperdícios exagerados e sim instalações de sistemas que não precisem operar, constantemente, em 101% da sua capacidade máxima.

O tão pouco falado Headroom poderia voltar a ficar na moda.

Sobre Denio Costa

Denio Costa é diretor da empresa de projetos DGC Áudio, Vídeo e Acústica e da escola de audio: Núcleo de Formação Profissional - NFP. Elabora projetos e presta serviço de otimização de sistemas de áudio. Consultor da Attack do Brasil. www.dgcaudio.com.br deniocosta@dgcaudio.com.br projetos@dgcaudio.com.br

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10 comentários

  1. Wesley Silva Novaes

    Eu trabalho com um decibelímetro á mão e a lista de todas as características e especificações dos transdutores conhecidos e usados, tanto que quando chego num sistema faço um interrogatório de júri pro responsável. Fica chato mas é uma das únicas formas de trabalhar bem em sintonia com o sistema e sem gerar prejuízos para o proprietário do sistema. Ajuda e muito fazer isso.

    • Wesley, um medidor de
      pressão sonora, medidor de nível sonoro ou, simplemente, sonômetro, mede SPL e
      não potência. Ele não é capaz de avaliar se um sistema está sobrecarregado ou
      não. Um determinado alto falante suporta uma dada potência e é capaz de fornecer
      uma certa pressão sonora dependente do projeto da caixa acústica. É difícil
      saber o desempenho prático de um sistema a partir das especificações técnicas
      dos elementos individualmente (transdutores, filtros, amplificadores,
      gerenciadores, cabos, conectores etc). O ideal seria sabermos qual o SPL Máx do
      sistema ou qual o SPL fornecido por cada Volt de sinal aplicado. Alguns poucos
      fabricantes mundiais, como a Attack do Brasil fez em sua linha Vertcon,
      especificam SPL/Volt e até SPL Máx/Volt. Assim sabemos que teremos uma pressão
      “X” ao aplicarmos “Y” Volts de sinal na caixa acústica.
      Quando se monta um sistema, é necessário saber qual o SPL Máx do sistema. Em
      função da diretividade, acoplamentos e outras variáveis, os resultados podem
      não ser uma simples soma de dB SPL. Um abraço!

  2. Uma pergunta que não quer calar… Temos recursos para uma ação corretiva em relação ao uso dos sistemas em que encontramos na estrada… ” A aplicação das compressões e limiters”. Mas a nível preventivo, é possível em caso de sistemas passivos, dimensionarmos os amplificadores (potência e Classe), para seus transdutores respectivos (falantes e drivers). Qual o ideal? Um percentual de potência RMS maior ou menor aplicado nos transdutores?

    • Sandro, a princípio o amplificador deve ser capaz de fornecer mais potência RMS que a especificação do transdutor, uma vez que estes suportam, instantâneamente, quatro vezes sua potência RMS. O problema é termos sistemas bem dimensionados para que a proteção entre em ação raramente. Amplificadores subdimensionados podem ser mais prejudicais ainda. Um abraço.

  3. OK Denio! Muito obrigado por responder minha pergunta.

  4. Quero só dizer que fico motivado a continuar com meu trabalho, quando leio matérias como está em um site como este, promovendo uma proximidade com profissionais como Denio, Kadu, Diego, Kalunga, etc..

  5. Coerência na hora de contratar o sistema ideal… essa é a premissa… não é qualquer sistema que resolve qualquer situação… o velho e certo ditado “cada macaco no seu galho”.

  6. Quando “diz”

    “Em sistemas passivos observo muitos danos causados por excesso de excursão nos alto falantes, muitas vezes originados por uma simples inversão nos cabos de sinal de áudio que alimentam os amplificadores de potência. ”

    Está se referindo a troca de cabos, nas vias de grave médio e agudo, que saem do processador / crossover e vão para os amps, certo?
    Não seria o sinal barrado pelos filtros do processador?

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