quinta-feira , 23 novembro 2017
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Desenho de Som para Teatro – Irmãos de Sangue da Cie Dos a Deux

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Aproveitando que estaremos de volta aos palco no teatro José de Castro Mendes neste final de semana, dias 14 e 15 de maio, vou contar um pouco sobre como é o meu trabalho com a Cie Dos à Deux.

Cie Dos à Deux é  uma companhia de teatro francesa criada por dois brasileiros residentes no país Europeu, Artur Ribeiro e André Curti. Realizei este trabalho pela primeira vez no Sesc Belezinho, em outubro e novembro de 2014. Há de se começar falando sobre a estrutura do espetáculo.

A Cie Dos à Deux pratica um gênero teatral que se convencionou chamar de teatro físico. Em suas peças, não há texto, falas no sentido que estamos acostumados a ver no teatro. A história é contada através de ações, interção entre os atores e dança; e a música e os efeitos sonoros têm um papel importantíssimo neste caso, ao contextualizar a emoção de cada cena. Para isso contribui a trilha sonora fantástica de Fernando Mota .

Como se consegue esse resultado?

Através de uma sonoplastia precisa e de um desenho de som que foge um pouco ao usual também. Além de utilizar o PA do teatro do Sesc, um line aray Meyer Sound M’Elodie, com subwoofers Meyer Sound HP-600 (que foram mutados no sistema Galileu que controla o PA) e delays Meyer Sound UPM-1P, tínhamos também atrás do cenário um par de subs Meyer Sound 700HP com mais um par de caixas Meyer Sound CQ1 acomodadas em cima dos subs, uma de cada lado do palco, como se fosse um PA; duas caixas pequenas Meyer Sound  UP-Junior; que complementam o PA como front fill, apenas para as primeiras fileiras da platéia; e uma caixa JBL EON 510. atrás de um armário que fica em cena. A intenção com o som saindo de trás de cena é levar o público para dentro do espetáculo;assim, o som no PA é sempre bem mais baixo, como se fosse apenas um front fill. A caixa atrás do armário é porque nele tem um radinho de pilha que os atores ligam e desligam e assim a caixa tem de estar lá para simular que o som sai dali.

Assim temos um sistema com 8 fontes sonoras e 6 saídas independentes, sendo: 1/2 as caixas CQ1 atrás do palco; 3/4 o PA; 6 a caixa JBL atrás do armário e 8 o sub de trás do palco.

Essas fontes sonoras têm uma razão de ser; é devido a elas que temos o efeito de que o som sai de dentro da cena e gradualmente vai para a frente; de que o rádio de pilha dentro do armário está tocando lá mesmo. Todo o soundesign da peça é operado pelo software Ableton Live, da seguinte forma: temos 3 grupos de 3 canais: um canal chamado “CD”, que contêm as faixas de áudio; um canal chamado “VOL”; que recebe o áudio do canal CD, e contêm os controles de volume e automações; e um canal “SENDS”, que recebe o áudio do canal VOL, e onde são feitas as mandadas para cada uma das saídas da placa de som.

 

Junto com o Ableton Live, utilizamos também uma interface M-Audio Profire 610, a placa de som, que tem 8 saídas, duas a mais do que precisávamos. Das saídas dela entramos nos canais da mesa disponível no Sesc, uma M7CL. Na console, ajustamos os ganhos ao volume desejado, e enviamos cada canal para uma mandada.

Usamos os canais de 33 a 38, onde 33 foi a caixa de trás do palco do lado L, mandada no aux 1; 34 caixa de trás do palco do lado R, mandada no aux 2; 35 canal L do PA, enviado ao Front-fill L pela mandada no aux 5; 36 canal R do PA, enviado ao Front-fill R pela mandada no aux 6; canal 37 subwoofers de trás do palco, mandados pelo aux 3; e 38 caixa detrás do armário, mandada pelo aux Assim mantivemos os volumes dos faders dos canais de entrada e das vias em 0, sendo todo o controle de dinâmicas feito através do software.

 

Segundo me explicou Luciano Siqueira, técnico de som que trabalhava com a companhia anteriormente, isso foi desenvolvido dessa forma para que o som do espetáculo não dependesse praticamente em nada do equipamento disponível no teatro. Se mudasse a console de uma semana para a outra, por exemplo, não teríamos problema algum, pois ela funciona apenas para rotear o sinal. Luciano foi quem me explicou todo esse sistema; fizemos juntos o ajuste dos volumes para a peça, seguindo os critérios do diretor, Artur Ribeiro, e ele operou também a estréia. A partir do dia seguinte, assumi a operação, que depois de tudo instalado, se torna muito simples, e assim tivemos 3 semanas de sucesso em São Paulo!

Sobre Luana Moreno

Luana Moreno é musicista e operadora de áudio. Está se graduando bacharel em guitarra, gravando um EP com seu projeto solo. É sócia da produtora Zoe, fundadora da Lunith e do grupo Female Pro Audio BR e atua como freelancer em eventos, teatro e shows.

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  • Vitor Vieira

    Bem maneira toda a explicação Luana! Estou a pouco tempo operando audio pra Teatro e estou gostando muito. Adoro teatro. Estou com um projeto novo bastante desafiador para estreiar, com 6 caixas de som e mais 2 subs para brincarmos em volta da plateia, vamos fazer tudo com o Qlab… foi bastante interessante ler sua resenha, esquema bem parecido com o que estou imaginando que vamos criar! Obrigado…