sábado , 21 setembro 2019
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Front, Center, Out e Down fill – Você sabe o que é?

Nos documentos técnicos encontramos pedidos de Front-Fill, Center-Fill, Down-Fill, Out-Fill, etc… Mas qual a diferença de cada um?

Dentro de um sistema de sonorização o intuito é de que todos os espectadores tenham a oportunidade de ouvir tudo que acontece no palco, portanto é preciso mais que uma única fonte de sonorização. Preocupado com isso, para se preencher todos os espaços dentro de uma diferença de + ou – 3dB C SPL, precisamos de vários sistemas, e são eles:

 

Main PA

Traduzindo ao pé da letra: PA principal, ou melhor, PA é a abreviação de Public Address (endereçado ao público)
Se pudéssemos enxergar a dispersão de uma caixa ou de um sistema, nós iríamos visualizar em lóbulos, como na Fig. #1.

 

dispersão line array
Fig #1

Esses lóbulos são determinados por medições On-AX/ Off AX. (dentro do eixo/ fora do eixo) em um range (extensão) de 6 dB. São esses parâmetros que definem qual o ângulo de cobertura de uma caixa/sistema de som.
Então, para termos a cobertura e otimização do som fora desses eixos, colocamos sistemas complementar ao Main-PA.

 

Down-Fill

A palavra Fill do inglês, tem a tradução ao pé da letra preencher, ou seja, preencher abaixo do sistema principal.

Muitas vezes vemos hoje com os sistemas de Line-Array, (Agrupamento em linha)(nesse caso o agrupamento é dos elementos como os “drivers” de alta freqüência e outros alto-falantes) existem caixas apontadas para baixo, para atingir os espectadores a 2 ou 3mts de distância. Eu particularmente não gosto disso, pois terei muita energia para pouco espaço a ser sonorizado. Poderíamos atenuar o volume dessas caixas, entretanto estaríamos mudando a interação com o resto do sistema, isso poderia ser feito com caixas dedicadas a esse espaço, as vezes penduradas abaixo do próprio Line-Array ou colocamos algumas caixas acima do sub-woofer localizado abaixo do “Main PA”.

No livro Sound Reinforcement Handbook escrito por Gary Davis & Ralph Jones, fala no capítulo 18.6 ‘Use of fill systems’, fala sobre o uso de mais componentes em um arranjo de caixas Acústicas para sonorizar.
Veja Fig. #2

 

Front-Fill
Front Fill
Front Fill

(linha de frente) Depois que foi diminuído o volume (SPL) do palco, eliminando os monitores que foram trocados por In-Ear, e as vezes eliminando até mesmo os “Side-Fill” (linha lateral), a área VIP que fica bem próximo ao palco começou a ficar com menos som, sem ouvir com exatidão as fontes sonoras do palco. É claro que mesmo com monitor e “Side-Fill” é necessário o Front-Fill pois tanto o Main PA quanto o Down-Fill não conseguem atingir com seus lóbulos On-AX a essa área, deixando esse espaço sem som direto e fora do “range” de + ou – 3dB da fonte principal.

Essas caixas normalmente são para tiros curto, em torno de 3mts.
O som que vem do palco não é um som mixado com intenção de agradar a platéia, ele pode não corresponder em equilíbrio e planos de mixagem o que o operador de PA tem como objetivo.

 

Center-Fill

(linha de frente) Com a distância entre os “Main PA” é formado um lóbulo de “sombra” bem de frente ao palco, mas depois da linha dos “Front-Fill”, um “Center-Fill” vem para completar essa “sombra”. Normalmente é instalado pendurado bem no centro do palco.
No caso, eles atuam conjuntamente (front-fill e Center-fill) para complementar o som no eixo central do palco.

 

Out-Fill

(linha de fora) Mesmo com os sistema de Line-Array com dispersão a 120˚, em locais mais largos o “Main PA” pode não cobrir, então existe o Out-Fill, preenchendo as laterais, dependendo do sistema a disposição, esse sistema de Out-Fill pode receber um Matrix com a soma do sinal principal ou até mesmo recebendo o sinal do Main PA oposto, ou seja, o Out-Fill localizado do lado do Main PA Left (esquerdo) pode receber o sinal do Main PA Right (direito) e vice e versa, dando ao publico mais ao lado uma imagem estéreo.Sound sistems

Em minha opinião, todos esses sistemas teriam que ser da mesma marca e da mesma série, para garantir a integridade da mix original. Isso é um ideal, mas na prática, nós sabemos que é difícil de realizar.

Eu também entendo que, esse sistema tem que ser processado, alinhado e otimizado através de um “Rack-Drive” (dedicado para processamento e monitoramento do sistema) e não no console que está a disposição do engenheiro que irá mixar.

Existe um profissional que falta em nosso mercado, o engenheiro de sistema.
É dele a responsabilidade de desenhar, otimizar e alinhar todo o sistema, deixando a responsabilidade apenas do alinhamento técnico que vai ser realizado pelo engenheiro do artista.

 

Esse post é apenas um resumo, espero que tenham curtido e claro, deixem suas dúvidas ou críticas!

Eu obtive a grande ajuda do Fernando Lopes, tanto em duvidas técnicas como na revisão do texto.
Deixo meu grande agradecimento a esse profissional incrível!

Forte abraço a todos.

Sobre Kadu Melo

Comecei minha profissão em 1997, trabalhando em bandas de bares e shows de pequeno porte. em 2000 ingressei na empresa paulistana Tukasom, onde obtive um Know How enorme. Em 2010 passei a trabalhar viajando com artista, Grupo Sensação, Bamdamel, Mafalda Minozzi, Pedro Mariano, Pedro e Thiago, Banda Hori, Fiuk, Jorge Ben Jor e Hoje com Fabio Jr. De 2011 a 2014 fui especialista de produto dos consoles Allen&Heath, onde aprofundei tecnicamente tanto na tecnologia como no mundo mais Business.

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