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domingo , 27 setembro 2020

Otimização de Sistemas de Sonorização Ambiente – Parte 1

Estou escrevendo um livro cujo título temporário é ; DEPENDE.

Cheguei a conclusão de que é a palavra mais usada em áudio. São tantas as variáveis que cada pergunta geralmente nos remete a diversas respostas. Nem sempre um sim ou não é possível de ser dado. Espero terminar o livro ainda em vida!!

 

Otimizar um sistema de sonorização ambiente é fazer com que ele apresente o melhor desempenho possível na resposta em frequências. Algo que, a princípio, parece ser muito simples. Mas nem tudo é o que parece ser.

 

Coloco desta maneira simplista, considerando apenas a resposta em frequência, por que uma boa resposta depende de muitas variáveis, entre elas:

  • Fase e escolha dos filtros HPF e LPFOtimização de Sistemas de Sonorização Ambiente – Parte 1 1
  • Estrutura de ganho
  • Desempenho eletro-acústico dos elementos que compõem o sistema
  • Projeto das caixas acústicas onde estes elementos são utilizados,
  • Equalizações individuais e dos blocos,
  • Ajuste de limiters,
  • Disposição física das caixas acústicas no ambiente (distância, altura, inclinação, acoplamentos),
  • Considerações quanto aos comprimentos de onda, oitavas, décadas, umidade, temperatura, gerenciadores, amplificadores, cabeamento etc.

Um dos fatores mais relevantes em um sistema de sonorização ambiente é a consistência. Um sistema precisa ter um desempenho consistente a cada dia de uso. Um sistema que se comporta de maneira muito distinta a cada aplicação é um sistema não muito confiável.

Lembrando que não se equaliza a sala e sim o sistema. Uma sala ruim, será sempre uma sala ruim, antes ou depois da otimização do sistema.

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O espectro de frequências considerado como útil para o sistema auditivo humano compreende, teoricamente, a faixa de 20 a 20.000Hz. São três décadas, de 20 a 200, de 200 a 2.000 e de 2.000 a 20.000Hz. Podemos dizer que a década mais técnica é a de 200 a 2000Hz, que compreende a região central do espectro onde atuam as vozes e é responsável pela inteligibilidade do sistema. Os reprodutores desta região precisam ser muito consistentes, eficientes e claros. As décadas extremas são mais artísticas e não atuam na inteligibilidade de um sistema.

É muito importante, antes da instalação das caixas acústicas, fazer um estudo da montagem física do sistema no ambiente e, se possível, utilizar as planilhas de alinhamento mecânico do fabricante. Estas planilhas auxiliam na definição da altura e ângulo do bumper, em relação ao piso, e ângulo entre as caixas acústicas, sempre considerando o eixo gravitacional do bloco. Fabricantes sérios desenvolvem planilhas que são muito eficientes. Alguns fabricantes contratam pessoas de design gráfico para desenvolver as suas. Certamente não estou considerando este último caso.

O eixo das caixas acústicas, geralmente, apresentam o maior nível de pressão sonora. Este eixo deve estar direcionado para o ponto mais distante onde esta caixa irá cobrir. Assim, consideramos as perdas pela lei do inverso quadrado e temos maior equilíbrio na distribuição da pressão sonora no ambiente.

Outro fator importante é a polaridade dos transdutores (alto falantes, drivers, tweeters). Atentar para o fato da existência da polaridade absoluta e relativa.

Medidor de polaridade de alto falantes

A polaridade absoluta é aquela medida em cada elemento. Para tanto deve-se utilizar um medidor de polaridade. Não é prático checarmos as polaridades utilizando pilhas ou baterias, tanto dos elementos de altas frequências como nos elementos de baixa frequência (alto falantes), enclausurados em cornetas dobradas, por exemplo. Ao se usar pilhas ou baterias não estão sendo considerados outros elementos que podem afetar a medição como cabos, conectores, amplificadores etc. Existem diversos tipos de medidores. Podemos encontrar hardwares (geradores e medidores), softwares e até mesmo medidores em que o sinal a ser utilizado para a medição pode ser um arquivo armazenado em um disco, computador, pen drive etc.

A polaridade relativa considera as inversões entre os elementos da mesma ou de outras vias. Não se assuste se algum dia encontrar um determinado modelo de caixa em que, por exemplo, os drivers apresentam polaridade inversa aos alto falantes. Isto é comum. Mesmo porque a polaridade mede apenas relações de 180°. O medidor pode entender que um desvio de 40° não é uma inversão de polaridade, apesar de haver um desvio de fase. Ou mesmo que um desvio de 97° é uma inversão.

O que é importante então?

O importante é garantir que todos os elementos de uma determinada via estejam com a mesma polaridade absoluta. Todos os alto falantes dos graves devem apresentar a mesma polaridade entre si (exceto em configurações especiais como cardioide e outros), o mesmo entre os drivers e entre os tweeters. A polaridade relativa deverá ser verificada durante o alinhamento de fase, medindo-se com um software baseado em FFT.

 

Continuaremos esse assunto no próximo post, até lá!

Sobre Denio Costa

Denio Costa é diretor da empresa de projetos DGC Áudio, Vídeo e Acústica e da escola de audio: Núcleo de Formação Profissional - NFP. Elabora projetos e presta serviço de otimização de sistemas de áudio. Consultor da Attack do Brasil. www.dgcaudio.com.br deniocosta@dgcaudio.com.br projetos@dgcaudio.com.br

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