sábado , 29 abril 2017
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Vamos falar sobre audição – Parte 2 – F.O.H.


Vamos agora nos concentrar em apenas uma pessoa – o engenheiro de som FOH. Vamos calcular o seu nível de exposição.

Tabela de exposição de ruído1234

 

Neste caso, pode-se ver que, se isso ocorre todos os dias, seria aconselhável recomendar proteção auditiva para o engenheiro, afnal, o engenheiro está sujeito a dosagem diária de ruído (LEP, d) acima do valor recomendado de 85 dB.
Uma boa solução para este engenheiro, e que não causaria qualquer problema para sua escuta crítica seria a utilização de proteção auditiva com resposta em freqüência linear. Estes sistemas são geralmente feitos sob medida para o cliente, sendo um bom investimento a longo prazo para o usuário.

 

Como um guia


Recomenda-se que, o nível sonoro equivalente, com a ponderação “A”, durante a duração do evento (O “LAeq do evento”), não deva exceder 107 dB(A) em qualquer parte da área do público. Já o nível de pico de pressão sonora, com pon-deração “C”, não deve exceder 140 dB (C). Estes valores do nível sonoro sendo válidos para toda a área da platéia. No entanto, para efeitos práticos, é comum monitorar a exposição de nível de som do público na housemix.No entanto, para efeitos práticos, é comum monit-orar a a exposição de nível de som do público na housemix. Porém, para grandes espaços, ao ar livre ou in-door, a distância entre a primeira fleira do público e a house mix pode chegar a 75m o que faz com que os níveis de ruído nas proximidades do palco sejam signifcativamente maiores. Para grandes concertos, devemos nos certifcar que durante a passagem de som a diferença do nível sonoro entre a house mix e a frente do palco – bem como, na frente de cada torre de delay / distribuição – seja medida e estalebecida.

 

Isto irá, então, fornecer uma orientação de qual nível de pressão sonora na posição de mixagem restringirá a exposição de todo o publico a um nívelinferior ao LAeq do evento recomendado, de 107 dB(A), e os níveis de pico à valores abaixo de 140 dB(C). Como alternativa – podem-se utilizar dois sistemas de medição – um cenário bastante comum em alguns países. Sempre que possível, o público não deve estar a menos de 3m de qualquer alto-falante.Isto pode ser conseguido através da utilização de barreiras de segurança certifcadadas e de fun-cionários dedicados, usando proteção auditiva adequada. Quando isto não for possível, os níveis sonoros globais do sistema de som terão que ser modifcados para que as pessoas a menos de 3m dos alto-falantes não estejam expostas a valores maiores que os recomendados. Além disso, sob nenhuma circunstância a distância entre o público e alto-falantes deve ser inferior a 1m.

 

Um medidor 10 EaZy sendo usado no palco principal num  festival ao ar livre na Europa
Um medidor 10 EaZy sendo usado no palco principal num
festival ao ar livre na Europa

Nos locais onde o LAeq é susceptível a ultrapassar 96 dB(A), aconselha-se avisar ao público comantecedência sobre os riscos para a audição, por exemplo, nos bilhetes/ingressos, publicidade ou em avisos nos pontos de entrada. Além da música, outras fontes de ruído também precisam ser devidamente controladas. Em particular, o barulho da pirotécnica deve ser limitado, de modo que na altura da cabeça na área do público, o barulho de pirotecnia não exceda um nível de pressão sonora de pico ponderado-C de 140 dB.

 

 

A audiência está ouvindo – mas por quanto tempo?

Se você mixar bem para o público – verá as nucas de suas cabeças balançando felizes durante duas horas. Caso a mix não os agrade, quase que certamente, você verá o branco dos seus olhos e ouvirá suas reclamações.

Níveis de mixagem consistentes soam melhor também. Assim, medir o LAeq na posição de mixagem ao longo do concerto é uma coisa muito inteligente a se fazer. Você está medindo o que o público está ouvindo, e se puder armazenar esses dados, você poderá usá-los para consulta posterior – Isso é melhor ainda! Em acústica – qualidade sempre vence contra quantidade e com o equipamento certo, será muito fácil confgura-lo e começar a trabalhar.

 

Sobre o nível

Reduzir o risco de danos auditivos, atráves da redução dos níveis sonoros na música e entretenimento não signifca destruir a forma de arte ou a performance. Pelo contrário, trata-se de proteger as pessoas nesse meio os artistas, intérpretes e trabalhadores auxiliares de forma igual.Mais do que isso, trata-se de proteger este ambiente criativo e as pessoas dentro dele à longo prazo.

A audição de artistas e outros profssionais técnicos e criativos é fundamental e precisa ser cuidada como uma responsabilidade primordial. Um trabalhador de bar hoje, poderia ser um ótimo FOH engenheiro de som de um dia. A indústria de som ao vivo e espetáculos nunca esteve em uma situação econômica melhor. Os avanços tecnologicos e a melhor formação vêm tornando as turnês e performance de áudio ao vivo melhor e mais profssional do que em qualquer momento de sua história.pub

No entanto, sem um programa justo e fundamentado de controle dos níveis de ruído para acompanhar este crescimento, a saúde dos funcionários que trabalham na indústria está sendo colocada em risco. Há muitas medidas que podem ser tomadas e que não são detalhadas aqui – medição acústica precisa é apenas uma faceta do problema.

 

Então o que pode ser feito?

Seus ouvidos pagam as suas contas. Eles têm que ser protegidos se uma longa carreira na indústria é o objetivo. Perceber isso é só o começo. Acredita-mos que estas questões devem ser resolvidas com criatividade e bom senso – e com a participação direta de pessoal criativo e experiente que trabalhe nessa indústria.

Os engenheiros de som Front of House estão em uma posição única para serem pró-ativos sobre essas alterações, e as ações devem ser tomadas antes que os legisladores imponham um conjunto mais rigoroso e mais arbritário de leis e obrigações. Se engenheiros de som e outros profssionais de acústica estiverem envolvidos desde o inicio, então, recomendações sensatas podem ser feitas, e a arte pode ser protegida da maneira correta. É dessa forma que tem acontecido em outros países do mundo.

Ter boa prática em exposição de ruído também signifca que você precisa ter algo fundamental – bons dados obtidos com ferramentas fáceis de usar, que sejam calibradas de forma independente, sejam da confança dos engenheiros que as usam e confáveis aos legisladores e aos técnicos que verifcarão os dados mais tarde.

Seus principais “bus meters” são, provavelmente, simpáticos e coloridos e geralmente bem cali-brados – mas eles só estão medindo o nível de sua mixagem referenciado para um valor elétrico padrão. Não tem nenhuma relação com o que você está ouvindo acusticamente.

E assim, se você não está medindo o nível acústico durante seu show, você está certamente perdendo uma quantidade signifcativa de informação que poderia lhe servir para melhorar a sua performance em tempo real. Bons sistemas de medição que podem medir os níveis de pressão sonora do show da maneira correta, garantem uma consistência de performance do nível de som durante todo o evento – bem como a aderência legal para o que quer que as diretrizes locais defnam.

A medição acústica do espaço de concerto é uma forma direta e criativa para assegurar um desem-penho de qualidade – e fornece dados que pode ser usados para manter os níveis acústicos no local seguro para todos.E isso só tende a melhorar a experiência ao vivo ainda mais, certo?

por:

Gary Brzezinski AMIOA
Head designer
danfonika
Guilherme Lopes
Mestre em Acústica pela COPPE-UFRJ
Engenheiro Mecânico e Consultor em Acústica na Bureau Veritas
Brasil

 

Sobre Diego Moreno

Fundador do site, Engenheiro de áudio, apaixonado por música, divide o tempo entre a estrada o estúdio e a constante atualização do site.

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  • Mauricio Pinto

    Diego, adorei sua abordagem!

    O tema é muito importante e as pessoas precisam se preocupar com o seu par de ganha pão.
    Obrigado por dedicar seu tempo para melhorar nossa carreira!
    Abraços!